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Bilinguismo (Parte III) 29 Fevereiro, 2008

Posted by Papà in educaçao, familia.
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continuaçao de “Bilinguismo (Parte II)

Regras básicas para desenvolver o bilingüismo
(do livro “The Bilingual Family” de Edith Harding e Philip Riley Cambridge University Press, 1986)

- Ser conseqüente: Seja qual for o padrão de uso do português e da outra lingua na sua família, não altere esse padrão e mantenha-o com firmeza. Se você decidir, por exemplo, que cada um dos pais fala a sua língua materna com as crianças, não altere esse padrão nunca. Ou seja, se sua língua materna é o português, fale sempre português com elas. Quebrar esse padrão de uso só perturba as crianças.

- Ambiente estimulante: Nada de brinquedos caros ou objetos especiais – as crianças só precisam de estímulos lingüísticos, ou seja, músicas para cantar, livros de histórias, poesias, etc. Informações e contato com a cultura brasileira também ajudam muito. Tente capoeira, futebol, música, filmes, etc.

- A criança tem prioridade: Não force a criança a falar as duas línguas. Um grande erro é pedir para a criança mostrar que fala as duas línguas, como se fosse atração de circo entre familiares e amigos. Isso deixa a criança sem jeito e se sentindo diferente dos outros. A conseqüência é que ela tentará se afastar do português, para ser como todos os outros na Alemanha, que só falam alemão. Quem quer ser atração de circo?

- Encare tudo com naturalidade: O bilingüismo deve ser tratado como uma coisa natural e corriqueira na vida familiar para que as crianças se sintam bem falando as duas línguas. Não force, não cobre, não exija. Simplesmente fale sua língua consequentemente e tenha um relacionamento carinhoso com seus filhos. O resto vem por si.

Pedras no caminho

Mesmo dedicando-se ao máximo para que sua família seja bilíngüe e seus filhos falem perfeitamente as duas linguas, você ainda assim poderá encontrar dificuldades pelo caminho. Eis aqui alguns exemplos:

- Parentes que falam apenas uma das línguas: É importante o contato com parentes que falam apenas uma língua, principalmente se for o português, pelo fato das crianças estarem menos expostas ao português porque vivem no exterior. No entanto, se esses parentes que falam português permanecerem por vários meses na mesmo pais que a criança, podem acabar atrapalhando mais do que ajudando se todos não se prepararem para isso. Esses parentes precisam aprender também as regras “lingüísticas” da casa.

- Resistência da família: Alguns parentes podem se mostrar contrários ao bilingüismo na família. É comum ver parentes reclamarem porque a criança aprende o português. Dizem que não há necessidade para isso porque a criança não mora no Brasil. Outro argumento que usam é dizer que o português é uma língua menor, que ninguém fala, que não ajudaria em nada a encontrar um emprego no futuro. O melhor que você tem a fazer ao ouvir esse tipo de comentário é ser educada. Não discuta. Diga calmamente que existem sim ótimos motivos para que as crianças aprendam português como, por exemplo, poder se comunicar com os familiares do Brasil e ter mais facilidade para aprender outras línguas latinas no futuro (espanhol, italiano, etc.).

- Aprender a ler e a escrever: Em geral, os pais querem que seus filhos não só falem português como também aprendam a ler e a escrever a língua. Caso seu filho não possa freqüentar uma escola portuguesa em seu país ou algum curso para crianças brasileiras, é possível alfabetizar em casa com auxílio de cartilhas brasileiras. Mas deixe para fazê-lo depois que a criança já tiver aprendido a ler e escrever a língua do país. Oito anos é uma boa idade para começar a alfabetizar a criança em português. Com essa idade ela já compreende a fonologia da lingua estrangeira (a relação entre sons, escrita e significado) e não irá misturar uma língua com a outra.

- “Especialistas” em bilingüismo: Muita gente poderá dar opinião com relação ao bilingüismo de suas crianças, julgando-se “especialistas” no assunto. Não apenas parentes, mas pediatras, educadores, psicólogos – todos se acham no direito de ditar palpites. Um médico, um psicólogo ou um educador, por mais que tenham estudado, NÃO são lingüistas. Nenhum lingüista será jamais contra o bilingüismo, por isso não dê ouvidos a quem quiser convencê-la de que é ruim para uma
criança falar duas línguas. A melhor maneira de lidar com essas pessoas é ignorá-las. Ouça e agradeça o conselho. E continue falando com seus filhos a sua língua materna. Sempre!

- Resistência da criança: Pode ocorrer da criança não querer falar o português com você na companhia de terceiros por vergonha, por ter medo de parecer diferente dos outros e de ser motivo de chacota dos colegas. Para evitar que isso aconteça, você precisa não só falar português com seu filho, mas dar a ele uma noção de identidade mais ampla. A língua está diretamente ligada à identidade e à cultura da pessoa. Por isso, ensine ao seu filho como é bom ter mais de uma
cultura, exponha-o à cultura brasileira (música, capoeira, futebol, etc.) e ajude-o a criar uma imagem positiva de si mesmo. Uma criança com uma boa auto-estima e apoio familiar não se será tão facilmente intimidada pelos colegas. Por outro lado, você também deve se esforçar para aprender bem a outra lingua, para que possa interagir socialmente em ambientes em que seus filhos nao poderao falar o portugues. O bilingüismo vale para todos, dê o exemplo.

Extraido e adaptado a partir do artigo “Filhos – Bilinguismoel.jpg
Parte I
Parte II

Comentários»

1. grandmoms - 1 Março, 2008

Adorei estes artigos a respeito de bilinguismo! Super interessante!

2. Papà - 3 Março, 2008

@Grandmoms: Se vc quiser ler mais a respeito, encontrei informaçoes adicionais, com muito valor, no site http://www.multilingualchildren.org/index.html. Trata-se da Multilingual Children’s Association.

Divirta-se!